Cena da Atriz Camila Morgado se Masturbando em Vergel

Cena da Atriz Camila Morgado se Masturbando em Vergel. Tônica da seleção do 45º Festival de Cinema de Gramado, o protagonismo feminino chega ao seu título mais ousado na noite desta sexta-feira (25), último dia de competição, com a projeção do longa-metragem “Vergel”. Dirigido pela cineasta argentina Kris Niklison e estrelado pela brasileira Camila Morgado (de “Olga”, 2004), o filme é um drama intimista sobre o período de profundo luto de uma mulher, que acabou de enviuvar, e que sai do processo sexual e emocionalmente transformada. Presente dominante em todo o filme, Camila encarna as dores de uma brasileira que perde o marido em meio a uma viagem de férias a Buenos Aires, e é obrigada a permanecer na cidade até que o corpo do companheiro seja liberado. Durante a solitária temporada em um pequeno apartamento da capital portenha, a personagem, cujo nome nunca é pronunciado, começa a perder a noção de tempo e senso de realidade, até encontrar apoio físico e psicológico na vizinha de baixo (Maricel Álvarez).

“Vergel” é o primeiro filme sobre a condição feminina da competição de Gramado deste ano, cujos vencedores serão conhecidos na noite deste sábado (26), que explora mais abertamente o corpo e a sexualidade da mulher – há várias cenas de nudez. Até agora, o festival já havia tocado em temas como o conflito de gerações nascido do relacionamento entre mãe e filha (“Como Nossos Pais”, de Laís Bodansky), as descobertas da adolescência (“As Duas Irenes”, de de Fábio Meira”), e a redenção na terceira idade (“Pela Janela”, de Caroline Leone). Camila, 42 anos, diz que “Vergel” é um filme “diferente de tudo que já fez antes em cinema”, e que as cenas de nudez não a incomodaram. “Eu as entendi como parte do processo íntimo da personagem, que está atravessada pela dor da perda”, entende a atriz. “O luto é um processo que te deixa em estado de suspensão, e quando você o experimenta sozinha, não faz julgamentos. Entendi que o filme era isso, como o espectador estivesse olhando pelo buraco da fechadura. Não é uma exposição gratuita, é realmente um retrato fiel de alguém que passa por aquela situação de dor”.